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Nutracêuticos na nutrição infantil

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PROFESSOR DR. RUBENS FEFERBAUM
Professor Livre- Docente de Pediatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.
Presidente do Departamento de Suporte Nutricional da Sociedade de Pediatria de São Paulo.
Diretor de Cursos e Normas da Sociedade Brasileira de Nutrição Parenteral Enteral.

A indicação de alguns nutracêuticos apóia-se em estudos prospectivos e randomizados, o que permite algumas metanálises favoráveis, à luz da medicina baseada em evidências
Para o pediatra, cujo principal objetivo é manter e promover a saúde da criança, afeito às propriedades da mais perfeita composição de nutracêuticos - o leite humano- a prescrição destes nutrientes certamente é um prato cheio. No entanto, faz-se necessário mais estudos para determinarmos a real importância dos nutracêuticos, pois, na realidade, muitas vezes eles são utilizados em situações de carência ou de doença, onde sua introdução poderá ter efeitos benéficos importantes. Como exemplos, probióticos em uma criança com diarréia ocasionada pelos antibióticos é uma grande indicação de uso objetivando-se recuperar a flora bacteriana intestinal. Mas, será necessário em uma criança com alimentação normal? E quanto aos prebióticos? Qual a composição deles ( FOS, Inulina, polissacarídeos, etc...) necessária para eliciar um balanço adequado da flora bacteriana intestinal? Na criança grave, na UTI, recebendo fórmula enteral, certamente ocasionará benefícios. No entanto, na alimentação natural e adequada, especialmente amamentada ao seio, não temos estes elementos?
Atualmente não se discute a adição dos LCPUFAS nas fórmulas para recém- nascidos prematuros: eles são necessários para a mielinização do sistema nervoso e desenvolvimento da visão. No entanto, precursor dos ecosanóides, altas doses deles não modificaria a reação inflamatória da criança? E a propósito, quanto aos fitosteróis da soja na nutrição infantil? Muitas questões a responder...
Assim, apesar do fantástico potencial de uso dos nutracêuticos na alimentação infantil, parece-me prudente não confundir a necessidade ocasionada por carência alimentar ou aquela modificada pela doença de um nutriente com propriedades funcionais ou farmacêuticas na alimentação da criança saudável. Desta maneira, como abordado pelas articulistas, a alimentação balanceada da criança (vide no artigo quantos alimentos citados com propriedades funcionais) e o incentivo a amamentação do lactente, bem orientada pelo médico e nutricionista, certamente são importantes fontes de nutracêuticos que contemplam as necessidades de crescimento, desenvolvimento e promoção da saúde da criança normal.

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