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Antioxidantes na Sindrome da resposta inflamatória sistêmica (SIRS)

A Síndrome da Resposta Inflamatória Sistêmica (SIRS) é uma reação reguladora de fase aguda essencial na defesa a injurias (lesão, infecção, sepse, falência respiratória, pancreatite, trauma, queimaduras, isquemia/ reperfusão, etc.).1,2 Durante o processo, o metabolismo torna-se catabólico, havendo perda de peso rápida e desnutrição, com comprometimento das funções imunológicas, cicatrização e força muscular.2 Com a persistência da resposta inflamatória aguda, o risco de desenvolvimento de disfunção e falência de órgãos aumenta nos pacientes críticos.1

Dos mecanismos envolvidos, a produção de mediadores inflamatórios (histamina, bradicinina e prostaglandinas), de Citocinas (TNF, IL-1 e IL-6) e as alterações endócrinas (aumento de: epinefrina, cortisol, glucagon, GH, T3, insulina) participam em diferentes fases do processo.3 Além desses fatores, os mecanismos de produção das espécies reativas de oxigênio (EROs) e do controle antioxidante encontram-se em desequilíbrio.

A produção exacerbada de EROs ocorre com a geração excessiva de O2-. tanto na fase de isquemia/ reperfusão, (nas cirurgias cardíacas e vasculares e transplante de órgãos sólidos), quanto na ativação da enzima NADPH oxidase em neutrófilos e macrófagos nos mecanismos microbicidas.1 Nestes casos, os mecanismos antioxidantes endógenos, tanto não enzimáticos quanto os enzimáticos - superóxido dismutase (SOD, dependente de Cu ou Mn), catalase (dependente de Cu e Fe) e glutationa peroxidade (GSHPx:Se) - são insuficientes para contrabalancear a produção de EROs, gerando o estresse oxidativo.1

A sepse está associada com o aumento de EROs e uma baixa capacidade antioxidante endógena.4 Possivelmente, a redução do poder antioxidante do paciente crítico esteja relacionada com a queda da concentração de micronutrientes no plasma, como resultado de perdas, baixo consumo e redistribuição da circulação para os tecidos.

Tentar controlar a SIRS é uma estratégia que tem sido avaliada para conter a resposta aguda. Suplementar os micronutrientes parece ser benéfico em queimados, traumatizados, sépticos e infartados. A administração por via endovenosa tem sido mais eficiente na reposição dos micronutrientes.5,6 Alguns protocolos de suplementação IV mostraram-se eficazes na reposição dos antioxidantes da pele, reduzindo complicações infecciosas e melhorando a cicatrização de feridas em pacientes queimados.5,7

Pouco se sabe sobre as condições ideais de intervenção de terapia de reposição de antioxidantes com pacientes com SIRS. A princípio, a intervenção precoce, nos estágios iniciais da produção das EROs, pode ter um efeito preventivo, mas ainda é necessário se determinar a combinação ideal entre os micronutrientes e dose requerida de acordo com o tempo de intervenção, patologia envolvida e gravidade da doença.5

Referências Bibliográficas

1-    Berger, MM. Can oxidative damage be treated nutritionally? Clin Nutrition (2005) 24: 174-183

2-    Rombeau & Rolandelli – Nutrição Clínica – Nutrição Parenteral, 3ed. Roca, 2001.

3-    Magnoni D. & Cukier C. Perguntas e respostas em Nutrição Clínica. Roca, 2001

4-    Angstwurm MW, et al. Selenium in Intensive Care (SIC): results of a prospective randomized, placebo-controlled, multiple-center study in patients with severe systemic inflammatory response syndrome, sepsis, and septic shock. Crit Care Med. 2007 Jan;35(1):118-26.

5-    Berger MM & Shenkin A Trace element requirements in critically ill burned patients. J Trace Elem Med Biol. 2007;21 Suppl 1:44-8. Epub 2007 Oct 31.

6-    Berger MM & Shenkin A Update on clinical micronutrient supplementation studies in the critically ill. Curr Opin Clin Nutr Metab Care. 2006 Nov;9(6):711-6.

7-    Berger MM, et al. Trace element supplementation after major burns increases burned skin trace element concentrations and modulates local protein metabolism but not whole-body substrate metabolism. Am J Clin Nutr. 2007 May;85(5):1301-6.

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