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Avaliação da Composição Corporal do Paciente Idoso


Nutricionista Thereza Emed 

A sociedade ocidental tem experimentado um aumento considerável do número de idosos na população. Aproximadamente 11% da população dos Estados Unidos encontram-se acima de 65 anos com projeção de aumento de 20% no ano de 2030. Atualmente no Brasil mais de 8% da população se encontra acima de 60 anos e este segmento também tem crescido rapidamente, esperando-se que em 2025 haja cerca de 32 milhões de idosos no pais 1 .

A nutrição é um aspecto importante nesta faixa etária, uma vez que os efeitos do avanço da idade, como as mudanças na composição corporal e no sistema orgânico, alteram os requerimentos nutricionais desta população 1,2 .

Um dos fenômenos de dimensão corporal mais estudados e relevantes relacionados com o aumento da idade cronológica é a associação encontrada entre as alterações na composição corporal (diminuição da massa livre de gordura e densidade óssea e o incremento e redistribuição da gordura corporal) e o risco para o desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis, como doenças cardiovasculares, diabetes, obesidade, osteoporose e alguns tipos de câncer.

Deste modo a avaliação da composição corporal de idosos em geral realizada pela antropometria e o conhecimento da porcentagem e localização da gordura corporal, têm aspecto importantíssimo tanto para a manutenção de uma boa saúde quanto no tratamento, e prevenção de doenças. Porém tal avaliação ainda apresenta limitações nesta faixa etária .

As alterações “normais” decorrentes do envelhecimento como o incremento da gordura, a perda da elasticidade da pele, as dificuldades em manter o indivíduo na posição ereta, a redução da estatura e por vezes a falta de concordância entre os parâmetros de avaliação, como por exemplo o IMC e a bioimpedância elétrica, são alguns dos fatores que resultam na falta de padrões de referência, específicos para a população geriátrica, e dificultam a avaliação e a correta classificação do estado nutricional de idosos.

Muitas destas referências que encontramos na literatura necessitam de cuidadosa interpretação, pois não representam necessariamente os idosos que vivem nos dias atuais e muitas vezes são derivadas de populações adultas de etnias diferentes 3,4,5,6 .

O IMC é amplamente reconhecido por sua habilidade em predizer risco de doenças, sendo que os extremos do índice conferem maior risco de mortalidade em pessoas idosas 7,3 . Dados de IMC altos indicam risco para doenças cardiovasculares, diabetes, hipertensão, apneia do sono, acidente vascular cerebral; enquanto índices baixos mostram riscos para câncer, doenças respiratórias e infecciosas, ulceras, fraturas de quadril além de prolongados períodos de recuperação e exacerbação de doenças 7 .

De acordo com o Nutrition Screening Initiative 8 a classificação do IMC para a população acima de 65 anos dependente do sexo e idade é:

CLASSIFICAÇAO

IMC

DESNUTRIÇAO

RISCO NUTRICIONAL

NORMAL

SOBREPESO

HOMENS

MULHERES

OBESIDADE

HOMENS

MULHERES

< 22

22 – 24

24 – 27

 

27 – 30

27 - 32

 

>30

>32

 

Em relação à porcentagem de gordura e peso de massa magra considerados “ideais” para adultos acima de 50 anos, os parâmetros propostos por Prothro J. 9 encontram-se no quadro abaixo.

 

PORCENTAGEM DE GORDURA PARA IDOSOS

IDADE

MASSA MAGRA (Kg)

% DE GORDURA

 

H

M

H

M

50 – 59 anos

21,4

11,5

24,1

41,9

60 – 69 anos

17,3

6,8

28,1

36,9

70 – 79 anos

13,3

5,9

29,9

36,0

 

Qual método de composição corporal deveria ser recomendado é difícil de dizer. A antropometria pode ser adequada em alguns estudos epidemiológicos e estimativas clinicas, já BIA alem de mostrar resultados semelhantes para diferentes avaliadores, revela importantes mudanças fisiológicas não detectadas pela antropometria isoladamente 10 .

REFERÊNCIAS

 

1. Tavares, E.L.; Anjos, L.A .Perfil antropométrico da população idosa brasileira. Resultados da Pesquisa Nacional sobre Saúde e Nutrição. Cad Saúde Pub. v. 15, n.4, p 759-768,1999.

2. McGee, M.; Jensen, G., J Clin Gastroenteroly n.30, v.4; p.372-380, 2000.

3. Omeran, M. L; Morley, J. E. Assessment of Protein Energy Malnutrition in Older Person. Part I: History, Examonation, Body Composition and Screening Tools. Nutrition, v. 16, p.50-63, 2000.

4. Heymsfield, S. B.; Nunez, C.; Testolin, C., et al. Anthropometry and methods of body composition measurement for research and field application in the elderly. European Journal of Clinical Nutrition, v,54, Suppl 3, p. S26-S32, 2000.

5. Visser, M.; Van Den HeuveL, E.; Deurenberg, P. Prediction equations for the estimetion of body composition in the elderly using anthropometric data. Nutrition, v.71, p.823-833, 1994.

6. Perissionotto, E.; Pisent, C.; grigoletto, F. Anthropometric measurements in the elderly: age and gender differences. Br. J. Nutr, p.177-186, 2002.

7. Matsudo, S. M.; Matsudo, V. K. R.; Neto, T. L. B. Impacto do Envelhecimento nas Variáveis Antropométricas Neuromotoras e Metabólicas da Aptidão Física. Revista Brasileira de Ciência e Movimento, v. 8, n. 4, p. 21-32, 2000.

8. Nutrition Screening Initiative. Interventions manual for professionals caring for older Americans. Washington, DC: Nutrition Screening Initiative, 1992.

9. Prothro, J. Protein and amino acid requeriments of the elderly. Ann N Y Acad Sci, v. 561, p. 143-156, 1989.

10. Svendsen, O L.; Haarbo, J.; Heitmann, B. L. Measurement of body fat in elderly subjects by dual-energy x-ray absorptiometry, bioelectrical impedance, and anthropometry. Am. J. Clin. Nutr., v. 53, p. 1117-1123, 1991.

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