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Antioxidantes Nutricionais - Vitamina E

Vitamina E é um nome genérico para moléculas que apresentem atividade biológica do alfa tocoferol, que é o mais abundante e ativo isômero deste grupo. Na natureza, a vitamina E ocorre sob forma de quatro tocoferóis ( a , b , g , d ) (figura 4) e quatro tocotrienóis. Os tocotrienóis diferem dos tocoferóis por apresentarem uma cadeia lateral insaturada.

Figura 4 – Estruturas dos tocoferóis naturalmente presentes nos alimentos.

 

A função primária da vitamina E o organismo é a antioxidação. Sintomas e sinais clínicos de deficiência de vitamina E estão associados a uma grande variedade de possibilidades, dado que a manifestação da deficiência da vitamina depende não só do conteúdo, aporte e turn over do nutriente, mas também do grau de estresse oxidativo e do conteúdo de ácidos graxos polinsaturados. Além disso, a atividade da vitamina E depende de um conjunto de elementos antioxidantes, que mantém a vitamina E em seu estado não-oxidado, pronta para varrer os RL.

A ausência de vitamina E e de selênio pode levar a necrose muscular periférica e a cardiomiopatia tanto em animais como em humanos 49 . A sua deficiência também está associada a alterações no sistema imunológico e por tal parece haver uma menor capacidade para combater infecções. Em crianças, a deficiência de vitamina E incorre em anemia hemolítica 50 . A vitamina E ainda aumenta a atividade da vitamina A, impedindo a sua oxidação no trato 8 .

Em função da sua lipossolubilidade e disponibilidade em ambas membranas celular e mitocondrial, é o mais potente antioxidante nutricional lipossolúvel.

A vitamina E provou ser inibidora da fase de propagação da peroxidação lipídica, por meio da doação de hidrogênio a radicais peroxilas derivados dos ácidos graxos. Cada molécula de tocoferol pode reagir com dois radicais peroxila para formar um composto estável, o radical-alfatocoferol que pode ser reduzido de volta a tocoferol pela vitamina C ou por outros agentes redutores 51,52 .

As mais ricas fontes de vitamina E na dieta são os óleos vegetais comestíveis, sementes e creme vegetais enriquecidos com vitamina E. Quadro 8. Por estar amplamente distribuída, a necessidade de suplementação é rara. Em situações de má-absorção, fibrose cística e insuficiência pancreática, esteatorréia crônica e nutrição parenteral total é sugerida suplementação a fim de prevenir sua deficiência. 52 As necessidades diárias de vitamina E para adultos estão listadas no quadro 9.

Quadro 8 – Fontes alimentares de vitamina E 53,54

Alimento

 

Vitamina E (mg ET*)

Óleo de milho (1 colher de sopa - 8 g)

86,6

Ó leo de soja (1 colher de sopa - 8 g)

86.4

Azeite de oliva (1 colher de sopa – 8g)

8.0

Creme vegetal (1 porção – 14g)

5.2

Germe de trigo (1 colher de sopa – 15g)

3.3

Ervilhas verdes frescas (1 colher sopa – 20g)

0.34

* ET: equivalentes de tocoferol

Existe grande variabilidade no conteúdo de vitamina E nos óleos vegetais em função da utilização de vitamina E, pela indústria alimentícia, como um protetor contra a peroxidação lipídica do produto, auxiliando a conservação de suas propriedades.

Quadro 9 – Necessidades nutricionais de Vitamina E para adultos (em alfa-tocoferol) 27

Idade

Sexo

EAR( m g )

RDA ( m g )

UL ( m g )

19 anos em diante

Homens

Mulheres

12

12

15

15

1000

1000

Nota:

EAR (Estimated Average Requirement): é o valor estimado da ingestão de um nutriente que cobre o requerimento da metade dos indivíduos saudáveis dentro do mesmo grupo etário e do mesmo sexo.

RDA (Recommended Dietary Allowances): é o nível de ingestão suficiente para alcançar os requerimentos de quase todos (97-98%) os indivíduos saudáveis em uma determinada condição fisiológica e faixa etária.

UL (Tolerable Upper Intake Levels): é o nível mais alto de ingestão diária de um nutriente, com menos probabilidade de risco de feitos adversos à saúde na maioria dos indivíduos.

Assim como ocorre com as demais vitaminas antioxidantes (A e C), a vitamina E foi exaustivamente objeto de estudo para validação do seu papel protetor contra doenças crônicas associadas ao estresse oxidativo. Estudos conduzidos a partir da suplementação dietética, utilizando doses acima da RDA não obtiveram sucesso em seus resultados, especialmente no que tange as doenças cardiovasculares. Um dos mais expressivos estudos foi o Gissi Prevenzione, que randomizou 11000 pacientes que tinham sofrido infarto agudo do miocárdio para receber 300 UI de vitamina E ou placebo durante 3,5 anos 55 . Nesse estudo, houve pequeno aumento do infarto agudo não-fatal no grupo que recebeu vitamina E, mas com discreta redução da morte por doença coronária. Entretanto as diferenças encontradas não foram estatisticamente relevantes. Outros dois estudos de larga escala (HOPE E HPS) 56,57 também não apresentaram redução do risco cardiovascular no grupo de indivíduos que receberam megadoses de vitamina E por via medicamentosa.

Atualmente, as pesquisas tem-se detido na ação da vitamina E na prevenção de doenças neurológicas como Alzheimer. Engelhart, et al 58 estudando 5395 indivíduos (55 > anos) sem doenças neurológicas prévias, avaliou o consumo de vitaminas C e E. Após 6 anos de estudo, do total de indivíduos

avaliados, 197 desenvolveram doenças neurológicas sendo a mais prevalente a Doença de Alzheimer. No subgrupo em estudo com maior consumo de Vit C e E, notou-se a redução de 18% (risco relativo de 0.82; 95% de intervalo de confiança = 0.68-0.99) e 18% (risco relativo de 0.82; 95% de intervalor de confiança = 0.66-1.00), respectivamente de desenvolvimento da doença neurológica. Dentre os fumantes, a redução foi ainda maior. Os que apresentaram o maior consumo de vitamina C, obtiveram uma redução de 35% (risco relativo de 0.65; 95% de intervalo de confiança = 0.37-1.14) e entre os fumantes com o maior consumo de vitamina E a redução foi mais significativa atingindo 42%

(risco relativo de 0.58; 95% de intervalor de confiança = 0.30-1.12), respectivamente. Outros estudos apontam benefício no consumo de vitamina E na prevenção de doenças neurológicas, porém estudos mais detalhados devem identificar os mecanismos protetores dessa vitamina.

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